Minha relação com a ficção científica sempre foi conturbada. O terceiro livro de RPG que ganhei, quando ainda tinha 9 anos de idade, foi o Shadowrun Segunda Edição, da Ediouro, que nem mais trabalha com RPG nos dias de hoje. Isso se deve, sobretudo, porque nunca fui um grande fã de Star Wars. É dessas coisas imponderáveis. não existe uma razão concreta, os filmes simplesmente nunca me ganharam. E, no que concerne ao público RPGistas, a galera fã de Sci-fi, lá nos idos da década de 90 vinham desses dois backgrounds distintos: fãs de Startrek e fãs de Starwars. Nunca tive muito saco para nenhum dos dois. Nunca tivemos uma forte tradição na ficção científica aqui no Brasil. Ainda me lembro do insucesso do Millenium, um RPG de ficção espacial nacional, que justamente buscava alimentar esse nicho do mercado, antes mesmo da chegada do GURPS Space. Eu sempre gostei muito de Shadowrun, mas sempre o encarei como uma espécie de D&D com armas de fogo em cenários urbanos. Não joguem pedras, minha concepção do jogo foi construída quando eu tinha 9 anos de idade! A ciência não era um ponto central do sistema, a princípio, e mesmo assim era algo muito distinto da pesada ciência especulativa que o pessoal se baseia cheio de licenças poéticas, para construir suas sagas espaciais. Certa vez eu interrompi uma campanha de Shadowrun, isso mais recentemente, porque não conseguia alimentar satisfatoriamente os meus jogadores com os detalhes das tecnologias existentes no mundo e a forma como elas impactavam a sociedade. Esse desconhecimento e desinteresse pela ciência e tecnologia acabou por me afastar do sci-fi como gênero literário e cenário de RPG.
Essa relação só viria a mudar nos últimos anos, sobretudo com o advento da série de jogos eletrônicos Mass Effect, um RPG-Shooter que é considerados por alguns como o "primeiro jogo de computador blockbuster". É importante destacar que a tecnologia acaba tomando um sentido meio secundário na história, que é muito centrada no desenvolvimento e relação dentre os personagens. Pode-se dizer, entretanto, que a questão fundamental do jogo coloca sim a tecnologia em destaque na construção do plot. Poderia ser assim, eu penso, mas os criadores do jogo acabaram dando um destino muito fraco para a história quando a terminaram sem realmente propor uma resposta a essa questão fundamental. Partindo da minha experiência no jogo passei a me instruir mais nesse sentido, ler mais sobre o que tem sido desenvolvido em termos de tecnologia de ponta, as reais possibilidades de viagem interestelar, assisti documentários, artigos pela internet e coisas do tipo, de forma que meu interesse por ficção científica cresceu significativamente. Nesse sentido destaco, porque talvez essa seja a maior influência para desenvolvimento desse cenário em específico, o seriado australiano Farscape. Farscape se vale de uma linguagem que, em muitos aspectos, traz de volta alguns aspectos da literatura pulp. Não se demora muito explicando os porquês, dando segmento a história que, a exemplo do Mass Effect (ou seria o contrário? tenho a forte impressão que Farscape influenciou bastante essa série de jogos), não se preocupa tanto com uma explicação verossímil dos feitos tecnológicos. Obvio que, no final das conta, esse tipo de linha narrativa tem um nome: Space Opera. Aí está, eu realmente me interesso muito por space opera, e infelizmente sempre estabeleci uma ligação direta dentre gênero e Star Wars, que como dito inicialmente, nunca me apeteceu. Foi feliz encontrar alternativas, dezenas delas!
O elenco de Farscape
Forgotten Stars, portanto, surge nesse momento. Na verdade, a ideia por trás de Forgotten Stars surgiu de uma brincadeira dentre eu e um amigo: e se as raças de D&D fossem alienígenas? Começamos a brincar com os conceitos por trás das raças icônicas do RPG mais famoso do mundo e pensamos em como elas poderiam ser modificadas para encaixarem em um cenário de Sci-Fi. Essas primeiras concepções acabaram dando o pontapé inicial para que eu começasse a desenvolver o cenário. Recorri logo ao meu livro do Spacedragon, um jogo baseado no sistema Open Dragon (também usado no Old Dragon) de ficção espacial Pulp, que servia muito bem a ideia de um cenário que tem por ponto de partida o D&D! Claro que tive uma série de outras influências, e referências, como o Gurps Space da quarta edição, o RPG Diaspora que, segundo informações, chegará ao Brasil no segundo semestre de 2013 assim como as muitas adaptações que encontrei de Mass Effect para RPG (dentre elas eu destaco as feitas para o Diaspora e para o Savage Worlds). Importante destacar que a próprio TSR brincou com o conceito ao criar o maravilhoso cenário Spelljammer que, talvez, seja a grande inspiração do meu cenário. Claro que com mais elementos de ficção científica e menos elementos de fanasy. Mas, bem, vai ter fantasia também!
É esse, portanto, o meu ponto de partida para desenvolver o meu cenário. Forgotten Starts pretende-se um cenário de Opera Espacial com tantos elementos do pulp quanto necessários, e eu pretendo beber em outras referências ao longo do trajeto. Tem outras referências legais, como o romance Starship Troopers, de 59, assim como outros grandes clichês da ficção espacial. Mas eu deixarei para um próximo post uma discussão sobre esses elementos e a forma como pretendo aproveitá-los.
Por hora, deixo aberto esse espaço para discussão sobre as ideias apresentadas, totalmente aberto a sugestões, pitacos, dicas e puxões de orelha!
vou acompanhar o desenvolvimento da história, por enquanto só li o primeiro texto. Vou incentivar baixando filmes scifi.
ResponderExcluirBeijos!
Muito boa a ideia.
ResponderExcluirSó uma correção:
O RPG se chamava Millenia e não Mllenium!
Abação!!!!