sexta-feira, 8 de março de 2013

ALIENS [1]: Elfos e Anões

Se a ideia por trás da criação de Forgotten Stars surgiu da brincadeira de transpor as raças de D&D para um universo de ficção científica, remodeladas na forma de alienígenas, nada mais natural do que nos concentrar, a princípio, nelas. A ideia dessa postagem é apresentar um panorama geral das principais raças alienígenas do cenário, de forma que o pessoal possa ter ideia do que eu tenho em mente e, principalmente, ajudar com dicas, sugestões e críticas.

A forma de apresentação aqui será feita partindo da raça de referência e ditará os passos que tomei enquanto fazia as adaptações para torná-la um alienígena.

Elfos


Os elfos são, talvez, a raça não humana mais importante do D&D, e isso se deve muito a grande influência da Terra Média de Tolkien. As principais características da raça que eu quis aproveitar ao desenhar meus alienígenas foram sua aptidão para a magia e sua forte ligação com a natureza, sobretudo com as árvores. Nesse sentido busquei outras referências que acho que poderiam complementar o design padrão da raça. Em primeiro lugar, a ideia de bionaves, ou living ships, muito me agrada, sobretudo após passar semanas assistindo Farscape. Isso permite que uma nave possa ser mais do que um veículo, tornando-se parte integrante do elenco! Essa concepção aparece em outros universos. Em Mass Effect, por exemplo, uma inteligência artificial opera a maioria das funções da nave e eventualmente torna-se uma importante integrante da tripulação. Podemos ainda citar as bionaves dos Metalianos, do romance brasileiro "Espada da Galáxia". Em Spelljammer, os elfos cultivam as suas embarcações e no cenário de Warcraft várias construções élficas são, também, cultivadas.


Partindo dessas referências achei que seria interessante se a tecnologia "élfica" seguisse uma trilha radicalmente distinta da humana e, assim cheguei ao que chamo de Engenharia Botânica. Com o tempo os alienígenas que chamarei de Dryadalis (elfo em Latim) desenvolveram aparatos biotecnológicos de origem vegetal, ao combinar técnicas avançadas de cultivo com suas capacidade psíquicas inerentes. Isso significa, por exemplo, que eventualmente eles desenvolveram plantas inteligentes que funcionam de forma análoga aos nossos computadores. Outra prática extremamente comum na raça é o cultivo de plantas simbióticas que aprimoram suas próprias funções vitais. A longa expectativa de vida élfica, por exemplo, deve-se a isso. Depois de milênios praticando a engenharia botânica os dryadalis foram capazes de desenvolver poderosos veículos de origem vegetal, basicamente criando plantas psíquicas especializadas. As espaçonaves, por exemplo, são verdadeiros construtos vegetais, com plantas exercendo diversas funções importantes, incluindo operando como propulsores telecinéticos.

Culturalmente os elfos vivem uma vida idílica, de comunhão com a natureza e contemplação. Uma outra referência que acabei utilizando ao criá-los foram os Na'Vi, do filme Avatar, que inclusive acabaram por influenciar fortemente a imagem da raça, assim como Pandora influenciou o seu planeta natal. Embora a ideia de uma conexão quase espiritual com todo o planeta pareça místico demais pra mim, achei que o processo de simbiose poderia ocorre por meio de conexões telepáticas com as plantas, exigindo um certo nível de interface física. A princípio a tecnologia militar dos dryadalis é extremamente arcaica se comparada às outras raças, embora eles possam compensar isso em algum nível, graças a seus talentos psíquicos. Eu pensei que a raça poderia ter evoluído de animais semelhantes aos felinos terrestres, mas que agem em bando (semelhante aos leões), com grande habilidade de escalar árvores. Seu planeta natal tem a gravidade um pouco menor do que a Terra, o que facilitou para que os animais e plantas fossem mais altos e esbeltos. Um dryadalem é, portanto, mais alto que os humanos (cerca de 2,1 metros de altura), esbelto, com longas orelhas pontudas e olhos felinos (que explicam sua visão em baixa luz). A distância parecem ser cobertos de uma pelagem colorida em diversas partes do corpo, mas um exame mais cuidadoso revela que isso é parte do processo de simbiose com as plantas, e os "pelos" são na verdade gramíneas, trepadeiras e raízes.

                        

Anões

Eu me diverti muito desenvolvendo os anões junto com um amigo meu. A primeira coisa que a gente pensou é que eles são nativos de um mundo rochoso, de alta densidade e extremamente rico em metais. A alta gravidade do planeta ajudou a explicar a sua baixa estatura, um pouco menor do que a humana. Essa ideia da gravidade influenciar no tamanho eu tirei do Gurps Space, no capítulo do desenvolvimento de aliens. Embora não seja uma regra é uma boa razão pseudo-científica para explicar esse pormenor. Eu gostaria que  o comportamento subterrâneo da raça fosse mantido, e dessa forma acabei por colocar que os anões tem por ancestrais animais semelhantes a tatus-hominídeos que vivem no subterrâneo para fugir do forte calor da superfície do planeta, animais sociáveis que viviam em matilhas e que se alimentam de carne e fungos (e possuem uma dieta bastante restrita, já que seu sistema digestivo é extremamente especializado). Eu gosto de desenhar as coisas que eu crio e eu gostei muito dos primeiros desenhos que eu fiz desses anões. Uma mistura dos Luxans de Farscape e do Armadillo da Marvel.


É claro que a concepção artística atual é bem menos animalesca que o Armadillo, e mais parecida com os Luxans, embora eu tenha pego emprestado a postura mais curvada e troncuda. Nesse momento eu escolhi, também, o nome da raça: Saxom, rocha em Latim.

Os Saxons estavam em um nível tecnológico semelhante a nossa Idade Industrial, com a metalurgia em franco desenvolvimento quando entraram em contato com uma outra raça, mais desenvolvida, que estava interessada em explorar jazidas de metais raros em seu planeta. Assim, eles sofreram uma espécie de Uplift tecnológico, de forma que embora integrem a comunidade galática não são muito dados a tecnologia de ponta. Ainda não decidi se essa raça que veio explorar o seu planeta os fez de forma pacífica ou se ocorreu um período de escravidão e, posteriormente, libertação. Estive pensando em colocar os Comedores de Cérebro (Mind Flayers, estou trabalhando para mudá-los o máximo possível, já que são propriedade autoral da Wizards) nesse papel.

Culturalmente os saxons seguem uma rígida hierarquia, resquícios do seu comportamento de matilha. Em quaisquer grupos sociais eles vêem a necessidade de estabelecer rígidos parâmetros de hierarquização, e, assim, acabaram se tornando uma raça extremamente competitiva e, em certa medida, agressiva. De forma geral eles trabalham muito bem em grupo, mas, ao mesmo tempo, exigem que exista clareza quanto as regras para se chegar a liderança e, uma vez que eles vislumbrem a trilha a seguir nessa direção, farão de tudo para ocupar o cargo, jogando conforme as regras. Os saxons são, ainda, competentes mineradores e atualmente seu planeta natal é famoso pela produção de matéria para construção de naves espaciais - muitas empresas de outras raças estabeleceram filiais no planeta para a construção de suas naves.

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