quarta-feira, 13 de março de 2013

ALIENS [3]: Androides e Greys

Nessa postagem pretendo abordar as outras duas raças alienígenas disponíveis para os jogadores. A maioria das outras espécies funcionarão, basicamente, como antagonistas, e serão abordadas mais pra frente. Encerrando a concepção inicial desses aspectos que vão, em alguma medida, ditar o rumo do cenário, fico bastante próximo de colocar a mão na massa e começar a escrever o material para o cenário, de fato. A partir desse ponto devo trabalhar com postagens mais breves para manter o pessoal atualizado, mas o foco será em preparar o material propriamente dito.

Androides

Além dos humanos, pretendo manter no cenário os androides de Space Dragon. Acho importante, entretanto, destacar qual o papel que eles ocupam no meu cenário. Considerando o poder de abalar e destruir, ou fascinar e controlar os robôs que os Cientistas possuem e observando que os mesmos meio que ocupam o espaço que no Old Dragon é ocupado pelo clérigo (da mesma forma que o Mentálico ocupa, de certa forma, o espaço do Mago) dá pra se pensar que os robôs de Space Dragon ocupam um lugar semelhante ao dos mortos-vivos! Isso, é claro, sou eu quem estou assumindo! Nesse sentido, os robôs aparecerão como antagonistas recorrentes no cenário. Os androides, entretanto, teriam sido, eventualmente, integrados na comunidade galática.

Quase todas as espécies utilizam autômatos em sua sociedade, máquinas complexas capazes de exercer tarefas simples, para as quais são programadas. A singularidade tecnológica, entretanto, seguiu o seu curso, e eventualmente as inteligências artificiais mais avançadas passaram por um processo chamado atualmente de Despertar das Máquinas.  Esse evento acabou alterando a relação das pessoas com aquilo que até então era pouco mais do que ferramentas úteis - eles haviam criado uma nova forma de vida, senciente. Essa história se repetiu em diferentes contextos para cada uma das espécies, mas quase todas elas passaram por eventos semelhantes, e cada uma lidou de forma diferente com o problema. No caso dos Dryadalem, por exemplo, as novas formas de vida,  suas máquinas vegetais sencientes, foram recebidas de braços abertos em sua sociedade. A relação de um piloto dryadalis com sua bio-nave só pode ser comparada a de dois irmãos de sangue, ou mesmo a de amantes! Em outros casos as novas "formas de vida" foram sumariamente destruídas, como é o caso dos Cobali - que os consideraram uma ameaça a Supremacia Scitubali.

O caso mais emblemático, entretanto, é o dos humanos. Seus robôs, como eles costumam nomeá-los, acabaram por desenvolver cérebros quânticos¹ que em muito se assemelhavam ao cérebro humano, em seu funcionamento, e apresentavam uma psiquê tão complexa quanto. Assim eles fizeram a mesma coisa que a humanidade faria: lutaram contra a tentativa de controlá-los e, mais tarde, destruí-los. Foi inclusive nessa época que a maioria dos cientistas mecatrônicos desenvolveram disruptures quânticos capazes de desativar o complexo cérebro das máquinas. Esse evento ocorreu de forma extremamente sutil a princípio, é importante notar. Muitos enxergavam o despertar como um evento aleatório, e não perceberam de imediato que ele estava ocorrendo em massa! O resultado disso é que muito rapidamente as máquinas puderam se organizar e compor uma resistência. Todos esses conflitos ocorreram antes da humanidade se lançar ao espaço interestelar, vale pontuar.

O conflito com as máquinas acabou alterando drasticamente a história humana. Eles tiveram, por exemplo, de desativar completamente a rede mundial de computadores, já que ela havia se tornado um recurso poderoso para o inimigo - que muitas vezes transferiam sua consciência para lá com o intuito de preservar a sua existência. No final do conflito os dois lados optaram pela paz. A existência dentre as duas espécies, entretanto, nunca foi das mais pacíficas. A humanidade desconfiava, em sua maioria, da presença dos "sintéticos", como passaram a chamar, de forma pejorativa, a nova espécie que, por sua vez, analisava alternativas viáveis de sobrevivência. Um aspecto que pesou de forma positiva para o lado humano é que, da forma que sua inteligência se desenvolveu, as máquinas possuíam uma individualidade muito acentuada, a exemplo de seus criadores. E, em alguma medida, eles admiram a vida orgânica e, se é que se pode dizer isso, a invejam.

Muitos temiam que as máquinas seriam capazes de, dando seguimento à singularidade tecnológica, desenvolver uma inteligência infinitamente superior à humana. Isso, entretanto, não aconteceu - aparentemente esse desenvolvimento encontrou um limite, em algum momento. As funções básicas da unidade, por exemplo, ditavam exatamente os limites de sua inteligência (e em alguma medida, a sua personalidade). A solução encontrada por cientistas robóticos, então, foi criar as Tábulas Rasas: máquinas que não apresentavam uma programação inicial tão estrita, e que poderiam, assim, se desenvolver infinitamente. Essas máquinas nunca funcionaram muito bem - pelo menos não do ponto de vista tanto dos robôs quanto dos humanos: se tornaram abominações assassinas que são extremamente temidas por toda a galáxia!



Os androides, nome dado às unidade que buscam emular a aparência humana, foram os mais bem aceitos na sociedade humana. Sobretudo porque não era tão imediato o reconhecimento deles enquanto sintéticos. Além do mais, na maioria dos casos ao menos, foram destinados a eles os cérebros quânticos mais avançados. Assim, eles foram reconhecido como líderes da Nação Robótica e como iguais aos humanos - pelo menos no papel. Uma vez que a humanidade finalmente alcançou as estrelas, com a descoberta do Warp Drive, foi questão de tempo até que as máquinas optassem por encontrar um mundo para si, de forma que elas poderiam seguir o seu próprio curso evolutivo, independentes.


Greys²

Eu sempre tive comigo que se um dia eu fosse desenvolver um cenário de ficção espacial eu incluiria nele os Greys, que são uma espécie de ET padrão na nossa cultura. E eu gosto dos Grey. Você muda uma ou duas características em seu design e eles podem ser tanto muito simpáticos quanto bizarramente assustadores! Os grey podem, ainda, ocupar muito bem o papel das raças pequeninas de D&D. Em Forgotten Stars, eles foram a espécie que mais cedo desenvolveu a tecnologia interestelar. São extremamente curiosos, e rapidamente já haviam mapeado a maioria das estrelas próximas a seu planeta. Assim, foram também os primeiros a descobrir a existências dos Fluxos de Fuga e chegar a Calyx, embora tenham mantido uma certa distância a princípio, o que não as impediu de explorar os Fluxos e encontrar a maioria dos planetas natais das outras espécies da galáxia. A primeira raça que estabeleceram contato foram os Athar - e o resultado não foi dos melhores! Os come-cérebro extraíram informações valiosas do cérebro de seus engenheiros e, partindo daí, foi uma questão de tempo até que tivessem também iniciado sua corrida espacial! Esse primeiro evento acabou tornando os grey muito mais desconfiados e cuidadosos, mas não menos curiosos.



Os grey deram origem a lendas de discos voadores não identificados e abduções em vários planetas, já que esse era um procedimento comum para a espécie - descobrir tudo o que fosse possível, sem interferir (muito) no processo evolutivo das mesmas. Pode parecer cruel a princípio, mas a abdução era, em sua visão, necessária para entender a fisiologia dessas espécies, assim como o seu comportamento, que eles podiam observar inserindo sondas espiãs em seu organismos. A maioria das outras espécies, na verdade, os assustava bastante! Os grey nunca foram uma raça militarizada, eles evoluíram de animais herbívoros e o seu desenvolvimento se deu pelo crescimento descomunal de seus cérebros - algumas plantas em seu planeta eram extremamente ricas em proteína. Mas eles estavam em uma posição bastante baixa a cadeia alimentar de seu planeta, e isso reflete em seu comportamento elusivo nos tempos atuais. Ao mesmo tempo eles compõem uma das civilização mais harmônicas e igualitárias da galáxia, já que a unidade era sua principal estratégia de sobrevivência.

Quando as outras raças chegaram em sua era espacial, os Grey as recebeu, uma a uma, no esforço de tentar criar uma comunidade galática. Eles sabiam que a probabilidade de conseguirem criar uma sociedade tão harmônica quanto a sua era baixa, mas acreditavam que, em alguma medida, podiam ser bem sucedidos em evitar que guerras eclodissem em cada canto. Ainda que tenham estabelecido fortes laços de amizades com os dryadalem, a verdade é que a maioria das outras espécies não os levava muito a sério, dada o seu comportamento pacifista. Ainda assim os Grey acabaram se tornando uma espécie de diplomatas galáticos, dado que a maioria das raças confia minimamente neles. E eles nem desconfiam que suas sondas espiãs observam silenciosamente o seu comportamento há centenas de anos!



¹ -  O conceito de "cérebro positrônico", criado por Asimov, foi construído tendo por base a descoberta, contemporânea a ele, do positrôn, ou antielétron. No Space Dragon os robôs possuem cérebros positrônicos, o que é perfeito para um jogo que busca evocar a linguagem pulp. O meu cenário pretende beber na influência pulp, mas partindo de alguns conceitos científicos contemporâneos. Acredito que o mais importante sobre a noção pulp da ciência era a crença positiva que as pessoas tinham nela,  que permitia às pessoas acreditarem que não existiam limites para o seu progresso. Esse sentimento eu vou procurar sustentar no meu cenário, e, nesse sentido, acredito que a essência do pulp será preservada.

² - Ainda que eu tenha trabalhado em nomes diferentes para a maioria das espécies (ainda que alguns não tenham ainda sido apresentados formalmente aqui), todos eles partem da designação popular que os humanos dão as raças aliens. De forma geral, não encontrei razões para não chamar os Greys de Greys! É claro que esse não é o nome real da espécie, mas todos os nomes apresentados aqui até então dizem da designação humana.

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